Participamos mais uma vez do maior evento de Marketing e Vendas da América Latina e voltamos com alguns tópicos que achamos valiosos para você levar em consideração em 2026. Esta foi a última edição antes da pausa: o RD Summit retorna apenas em 2027, em um formato repaginado que, segundo os bastidores, deve trazer referências ao SXSW.
Enquanto isso, acompanhe os principais aprendizados que marcaram esta última edição.
Resumão do que vimos no RD Summit:
- Pensamento crítico vence a IA: use a inteligência artificial pra automatizar tarefas e levantar dados brutos, não para criar estratégias;
- Atenção à saturação da estética gerada por IA;
- “Acessos ao site” não será mais uma métrica de sucesso pra SEO (otimização para mecanismos de busca), exigindo indicadores mais completos;
- A jornada do consumidor está mais complexa e multicanal, demandando a aplicação contínua da autoatribuição;
- Marca é influência, mesmo em um mundo de IA;
- Marketing precisa se adaptar: as operações de marketing mais avançadas analisam dados em tempo real e têm rituais com o time comercial para entender objeções e sinais de compra;
- Tendências para 2026: nostalgia, experiências que estimulam os sentidos dos consumidores, mais criatividade e conteúdos de melhor qualidade.
1. Primeiro você pensa, depois você usa a IA
O tema inteligência artificial dominou esta edição, especialmente no marketing (nosso time que o diga). Nas edições passadas, ano após ano, vimos o aumento de palestras com tema, mas em 2025 isso atingiu o auge. Na feira de negócios, praticamente todas as soluções apresentavam algum recurso de IA.
Mas surge a pergunta: o que esperar do futuro além da inteligência artificial?
E, principalmente: como usar a IA sem perder a capacidade humana de pensar?
A palestra da Martha Gabriel, Founding Partner da FutureNOW Strategies, foi inspiradora nesse sentido. Ela destacou que, antes de usar qualquer ferramenta de IA, é essencial desenvolver pensamento crítico, análise e tomada de decisão consciente.

Crianças que usam ChatGPT perdem a capacidade de pensar e tomar decisões, segundo MIT Media Lab.
“Máquinas são para respostas;
Humanos são para PERGUNTAS”;– Kevin Kelly
IA só é apenas uma ferramenta, o diferencial está em saber como usá-la. Por isso, devemos desenvolver as habilidades que ela não reproduz: pensamento crítico, análise emocional e visão do todo.
Além disso, já é possível observar uma tendência importante: a saturação da estética gerada por IA, com conteúdos visuais cada vez mais parecidos e repetitivos.

2. SEO ainda vale a pena em uma era de IA?
Percebeu queda no tráfego orgânico nos últimos meses? Você não está sozinho. Muitos palestrantes e profissionais que encontramos no evento relataram a mesma situação nos seus ativos digitais.
Isso acontece por dois motivos principais:
- 1. AIO (AI Overviews) do Google, que responde às buscas direto na SERP, reduzindo cliques;
- 2. Uso crescente de LLMs (Grandes modelos de linguagem), como ChatGPT e Copilot, substituindo buscas tradicionais no Google.
Mas ainda há esperança para o conteúdo em uma era de IA. Segundo Rafael Rez, o tráfego vindo desses Grandes Modelos de Linguagem já está diminuindo:

Outro dado interessante:
Depois do Wikipédia, os blogs são as fontes mais citadas pelo ChatGPT. Ou seja: criar conteúdo para blog continua fazendo sentido.
Lembre-se disso quando alguém disser quer produzir conteúdo pra Blog morreu.
De toda forma, é importante se adaptar, “Acessos” já não é uma métrica confiável de sucesso. Hoje, faz mais sentido acompanhar indicadores como:
- Share of Citation;
- Share of Voice;
- Share of Search;
- Zero-click conversions;
- Menções de marca nas respostas de IA.
Outro ponto chave da palestra: autoatribuição.
A jornada do consumidor está ficando cada vez mais complexa e o papel seja no SEO, GEO ou AEO, o papel dos canais continua sendo o mesmo: influenciar a tomada de decisão. Para medirmos de forma mais eficiente o papel dos canais nessa jornada, é importante desenvolver o processo de perguntar para o nosso cliente:
- Como você nos encontrou?
- Por que nos escolheu?
- Qual foi o seu momento de decisão?

3. Marca forte é influência
Como leitores fiéis de Bits to Brands, da Beatriz Guarezi, não poderíamos deixar de acompanhar sua palestra sobre branding. Em meio a tanto caos, excesso de informação e conteúdo repetitivo, como o branding ainda se conecta?

A comunicação “pasteurizada”, aquela em que tudo parece igual, deixa uma grande oportunidade para as marcas fortes. Trabalhar o sentimento de pertencimento e criar espaços de identificação é o caminho para marcas que querem se destacar. A combinação entre a força da marca e o uso estratégico da tecnologia é o que realmente influencia as decisões do público.
4. Marketing & Vendas mais integrados
É indispensável que os times de marketing e vendas estejam cada vez mais alinhados. Vicente Rezende, CMO do RD Station,reforçou pontos essenciais sobre essa integração em sua palestra.
O playbook de Marketing não deve estar escrito sob pedra. É necessário se adaptar frequentemente e utilizar os inputs fornecidos pelo time de vendas. Isso inclui analisar os sinais do clique e fugir do “last-click”, evitar depender apenas do last-click e mapear a jornada completa do cliente, inclusive depois da passagem para o comercial, algo que se conecta diretamente com o tema de autoatribuição apresentado por Rafael Rez.
Caso sua operação ainda não mensure CAC (Custo de Aquisição de Clientes) e LTV (Lifetime Value) em tempo real, deve ser um dos objetivos pra 2026. Essa visão contínua é fundamental para construir uma estrutura de marketing realmente avançada.

5. Tendências de Marketing para 2026
A pesquisadora Priscilla Seripieri apresentou tendências de comportamento do consumidor que merecem atenção. Na visão dela, 2026 será um ano de redirecionamento.
Estamos vivendo em mundo cada vez mais polarizado, com excesso de estímulos, sobrecarga de informação e sinais claros de saturação da IA.
Nesse contexto, algumas direções se tornam ainda mais importantes para as marcas:
- Criação de mundos lúdicos e oferecer “microalegrias” em espaços de compartilhamento;
- Destacar o propósito da marca, transformando clientes em fãs e fortalecendo comunidades;
- Conectar-se através da nostalgia;
- Estimular todos os sentidos do consumidor, não apenas a visão;
- Qualidade > Quantidade. Criatividade deve ser utilizada e combinada com tecnologia pra superar a saturação de IA.

Conclusão
Acompanhar três dias completos de tendências é cansativo, mas extremamente valioso. Muito do que vemos surgindo agora tende a se confirmar nos próximos anos, e estar por dentro faz diferença.
Não teremos RD Summit em 2026, mas continuaremos participando de outros eventos (caso tenha alguma sugestão, nos mande) para manter nosso time atualizado e levar novos aprendizados aos nossos clientes.

